Gosto muito de ver filmes e ler livros de ficção. E sempre, sempre espero um final feliz. É realista? Não. Mas é o desejado. Lógico que há leituras que mesmo não tendo o final como gostaria, não deixa de ser impactante, marcando minha alma. Meu primeiro livro, “Meu pé de laranja lima”, não tem o final dos meus sonhos, mas o amo mesmo assim.
A questão é que um final feliz é como uma água de coco num dia quente: refrescante e dá uma animada, ainda que no geral gere uma ilusão temporária de que não precisamos de mais nada. Depois que a sensação passa, notamos que precisamos tomar mais água, simples assim, e comer alimentos que nutram nosso corpo por mais tempo. Afinal, viver não termina com os créditos subindo na tela. A vida é a continuação de todas as escolhas que fazemos, faremos e ainda as consequências que iremos receber em razão das nossas escolhas e dos outros. Nada retilíneo. Lembrando, assim, que a vida parece mais um balaio de gatos do que uma linha reta, sendo bem mais caótico do que gostaríamos que fosse.
Gostar de final feliz, em alguns momentos, é uma pausa. Mas sei que também este meu desejo é muito bem observado pela mídia que busca prender minha atenção. Daí a importância da consciência. De estar presente. E saber que, se eu estou ali buscando uma ilusão, eu a faço ciente disto, não permitindo que me manipulem. No geral acabo sendo manipulada mesmo assim, mas nos últimos anos tenho conseguido ter um olhar mais crítico em relação ao que leio e vejo. É um passo importante, pois fortalece minha vontade.
Em todo caso, além do corpo, também alimentamos a alma. E isto fazemos apreciando a arte, tendo conversas enriquecedoras, reflexões que doem mas nos ajudam a mudar. E tem aqueles dias que só queremos uma brisa, uma sensação de quentinho e que o esperado vai acontecer: um lindo final feliz. Mesmo que saibamos que, na vida real, os possíveis finais são inúmeros, tanto quantos os recomeços. Nem sempre felizes, mas sempre passíveis de reviravoltas. Não há roteiro pronto para a vida.
E você, o que mais deseja ver ao final de uma história contada: um desfecho que ilude ou um realista que nos lembre que a vida continua depois dos créditos?
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