Ela sabe o momento que significou o fim, que não haveria mais volta. A imposição condicionante para existir o sentimento era limitante demais para o seu ser. Precisaria calar e não mais dizer o que pensava. Como amar sem poder falar o que pensa ou sente sobre algo que incomoda? Ela não sabia fazê-lo e, por isto, percebeu que o silenciar seria o sufocamento do amor que sentia.
Como viver assim? Como manter a alma em alegria se parte dela estava sendo sufocada? Ela poderia não tocar no assunto, ou esperar o momento mais oportuno… acontece de termos assuntos delicados que não queremos lidar naquele momento. Mas o que sufocava era a condicionante: se falasse de novo a respeito disso, encerrava ali a história de amor. E a partir dessa colocação, foram mencionados sentimentos e condutas que em nada condizem com a essência do questionamento ora repreendido. E não fazia sentido, para ela, terminar algo construído a longo prazo, almejando a união, por conta de divergência de pontos de vista.
Sua alma clama por justiça, que o absurdo fosse escancarado, e que a pessoa que agiu assim tenha consciência de sua atitude e dos seus efeitos. Não há nisso raiva, mas uma indignação com a indiferença do outro sobre as suas atitudes na vida alheia. E a divergência, portanto, não envolve os dois, mas um terceiro que sequer se importa.
Mas… de tudo que aconteceu, o que dói é perceber que o silenciamento, o afastamento decorrente, a ausência de expressão do sentimento, de alguma forma reflete o agir do ser amado. E ele parece confortável com o novo cenário, sem conflitos, sem questionamentos, sem toques. Daí vem a grande revelação: que momento foi este em que ela não quis enxergar que não havia mais uma história a dois?
Quanto de silêncio um amor suporta aguentar antes de morrer?
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