– vivências . leituras . registros –

[
[
[

]
]
]

O quanto de nossa mente está disposta a realmente compreender o que está ali, bem na frente de nossos olhos? Estou vendo o cenário, em busca de um objeto determinado, mas ainda assim não o encontro, mesmo me esforçando. Se me perguntam, não sou capaz de dizer onde está. Sendo um objeto o alvo da minha busca, algo físico, tangível, fica mais escancarada a situação de não estarmos plenamente atentos.

Mas quando se trata de emoções, sentimentos e pensamentos? Quando passamos batido, fingindo que não estava ali, que não tinha como não saber? Por outro lado, nossa mente não é boba: quando a verdade vem à tona, todos os sinais claros e evidentes explodem em conexões neurais nos perguntando: como assim você não viu? Estava todo o tempo ali…

Vi mas não enxerguei.

Assim, temos a situação em que não queremos lidar com algo. Então, de alguma forma, nossa mente buscará um meio de nos proteger, evitando, por ora, enxergarmos a real situação. Os motivos para tal reação são variados: medo, falta de maturidade, carência… Pois enxergar acaba nos levando à condição de refletir e chegar a uma conclusão que nem sempre estamos preparados para lidar.

Precisamos de tempo para entender o que está acontecendo e daí, com coragem, ir adiante no que precisa ser feito. Parece simples, pois quando percebemos o objeto que estava bem ali e não enxergamos, rimos e pensamos: como pode eu não ter visto tal coisa? Achamos graça e deixamos passar. Por sua vez, quando estamos falando de algo sutil como sentimentos, percepções de condutas e tal, este não enxergar é muitas vezes prejudicial, e ignorar não irá nos isentar das consequências.

Nossa visão tem uma limitação física, mas não precisamos nos limitar quando se trata de analisar o que estamos sentindo. Antes de mais nada, construir um bom repertório permitirá ter elementos de referência que serão usados para análise de situações, palavras ou atitudes. Enxergar vai além de ver: está intimamente atrelada à nossa capacidade de perceber além do que está sendo visto.

O fortalecimento desse percepção pode ser feita com a leitura, conversas honestas, enfim, tudo que possa pôr à prova princípios, valores, fluxos de pensamento. E assim, discutindo e aprimorando as análises, isto pode ajudar para que não nos enganemos. Com o tempo, quando precisar procurar por algo, rapidamente o olhar irá em busca do que precisa ser encontrado. Sem ilusões, sem disfarces, sem fantasias.

Mas para tanto, precisamos deixar claro para nossa mente que somos fortes o suficiente para enxergar o que de fato está posto. E que estamos preparados para a decisão que será tomada, independente de que seja agradável ou não. E não se engane: leva tempo para isto acontecer, então não se distraia.

Então me diga, o quanto você realmente quer enxergar?

Deixe um comentário