– vivências . leituras . registros –

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Ter a violência como um aspecto presente nas relações familiares é algo que marca para o resto da vida quando essa lembrança vem da infância. Ainda que se construa caminhos que nos afastem desta realidade, dando até a impressão de ser uma lembrança muito distante, ainda assim ela desponta num momento de perda do plumo. A semente da violência que foi plantada e germinada dá sinais, pois cortar uma planta não garante que a raiz foi arrancada.

Pode-se pensar que, a depender do meio, ser violento é a melhor resposta que se pode ter. Aqui não quero dizer que estamos imunes a reações violentas, a depender da situação. Mas quando a tenho como única possibilidade de resposta, estou me distanciando da capacidade de me humanizar. Pois se for assim, o que irá me diferenciar dos demais animais que agem por instinto, demarcando território e protegendo o seu bando?

O fato de termos desenvolvido a linguagem e desde então gerado repertório para nomear o que sentimos, por tudo isto não posso aceitar que ser violento é um aspecto do meu ser que eu não possa conter. Entender a causa da sua existência e decidir o que fazer com essa raiz é o mínimo que posso fazer. Além do que, a depender do tempo e do quanto está enraizada, talvez não tenho como arrancar. Mas isto não me impede de contê-la, evitando de que desponte de forma desgovernada.

O que tenho entendido é que reprimir, ou até mesmo rejeitar o que sinto, não ajuda, pelo contrário, até contribui para que a violência ganhe força e se justifique, ainda que toscamente. Ao buscar a causa dessa reação agressiva, consigo com isto ter um controle maior dos rompantes. Perceber quando a reação está perto de fugir do controle, evitando ambientes e pessoas que podem contribuir para o descontrole. Enfim, se conhecer e aceitar que, como humanos, somos sombra e luz ao mesmo tempo.

Não me orgulho de ser assim, mas tenho tentando aceitar que a violência não precisa ser a minha identidade. E entender a sua origem me ajuda a cada momento conhecer um pouco mais de mim que tento esconder no meu inconsciente.

O que dizer a si mesmo quando esquecemos do que somos capazes de fazer se não houver o freio do ser humano que se quer construir?

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