Quando falamos de luto, o primeiro pensamento é a perda de uma pessoa que amamos. Trata-se do evento mais evidente sobre esta emoção. Mas o que ignoramos, e até menosprezamos, é o luto de quando precisamos enterrar um sonho, um projeto, uma ideia que alimentamos e gostaríamos que crescesse mas não foi adiante.
Se perdemos um negócio, até temos um pouco de empatia, pois está visível que houve uma “morte”. Todavia, quando a perda envolve uma ideia, um sonho, um projeto ainda em andamento, quando não se realiza, a dor dessa morte toma conta do peito de tal maneira que muitas vezes é difícil explicar para quem está de fora. É um luto sem solidariedade, onde até mesmo há uma pressão para reagir e esquecer, pensar em outra coisa. Seguir adiante sem olhar para trás.
Por outro lado, se o luto não é vivido, se torna uma ferida aberta, não cicatrizada, podendo sangrar a qualquer momento. O choro contido irá aflorar em alguma outra parte do corpo. Não existe dor que não precise encontrar seu momento de choro, de despedida. O luto é a despedida final do que não volta mais. A despedida de alguém ou de uma ideia. A despedida que será dolorosa na proporção direta do amor que sentimos por quem ou pelo quê que deixou de existir.
Ainda assim, por mais doloroso que seja, ainda que incompreendido por quem está de fora, é necessário viver o luto. Aceitar o movimento de despedida. E se recompor no momento em que a dor deixar de ser o centro das emoções e se tornar a lembrança da superação. E superar aqui não é esquecer. Significa entender, aprender e agradecer. A partir daí, recalcular a rota, e encontrar um novo caminho para continuar vivendo.
E por aí, quantos lutos você já teve que passar? Quais ainda está sentindo?
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