Queria comer um salgado de queijo. Pedi para viagem, paguei e saí. No caminho fui comendo. Na primeira mordida, senti o sabor do presunto junto com o queijo. Além de saber que comer presunto não faz nenhum bem para a saúde, pelo tempo que eu não como mais, ao sentir o sabor, achei desagradável. Pensei em voltar e devolver, exigindo o salgado que havia pedido. Mas daí pensei que a vendedora iria “pagar” pelo salgado errado. Daí pensei em jogar fora, mas tenho problemas em desperdiçar comida. Conclusão: comi tudo, mesmo não gostando. E assim tenho agido com a minha vida.
Em termos de direito do consumidor, o certo seria ter voltado (afinal eu ainda estava perto) e pedido o salgado no sabor que eu paguei. Todavia, a ideia de que seria repassado para a vendedora o prejuízo desagrada-me mais do que o sabor do presunto. Então o sensato era ter jogado fora. Pois se algo não faz bem para o meu corpo, como eu posso continuar consumindo? Como desperdiçar alimento é um pecado na educação que recebi, meu condicionamento falou mais alto. Daí, se não estou com a consciência ativada, meu automático toma conta e cometo o absurdo de comer algo que não quero e nem mesmo me faz bem, só para não ter a culpa do desperdício atormentando a minha mente.
E quantas, quantas situações acabamos vivendo por conta de algum condicionamento? Principalmente de ordem emocional. Quanto mais sutil, mais difícil de identificar e se libertar. Mais difícil de mudar o modo de pensar ou de agir a depender do tempo que se tem o famigerado condicionamento. Então assim como comi o presunto, assim muitas vezes mantemos em nossas vidas pessoas que não nos fazem bem nenhum, pelo contrário. Muitas vezes permanecemos num emprego que só nos adoece pois estamos condicionados a pensar que não encontraremos algo melhor.
Está na dúvida se algo está lhe fazendo mal? Observa os sintomas. Observa o que o corpo lhe diz. Observa se as atitudes de lazer são para acalmar a alma e levar ao crescimento humano, ou mero escapismos para não ter que lidar com a realidade incômoda e precisar pensar na tomada de decisão a respeito. Quando o lazer é método de entorpecimento, acredite, não estamos agindo diferente de alguém que é viciado em drogas ilícitas.
Aliás, talvez estejamos agido até pior, pois nos escondemos na ideia falaciosa de que não estamos fazendo nada de ilegal. Como se prejudicar a saúde física e mental não fosse um dos maiores crimes contra a vida. Trata-se de um suicídio lento e assistido, incentivado pelas propagandas e apoiado por “amigos”. Não se iluda, fuga é fuga, seja qual for o meio utilizado.
Quais sintomas de dor na alma você tem ignorado?
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