– vivências . leituras . registros –

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A carreira profissional que possibilita as demais é a de professor. A ironia é que, no nosso país, é visível o quanto foi sendo desvalorizada financeiramente e, também, moralmente. Impressionante o quanto atribuímos menos valor aos profissionais da educação dos anos iniciais, e valorizamos, ainda que não seja o percentual justo, os que são do nível superior.

Ensinar crianças e jovens é o desafio mais extenuante, pois além desses professores serem os primeiros a lhes apresentar as portas do ensino, serão eles as referências dessa fase. Considerando que a educação começa em casa, e num país com uma margem populacional que sobrevive, qual o nível de educação doméstica podemos esperar desses alunos? E como os professores irão lidar com tantas carências, quando eles mesmos precisam fazer malabarismos para sobreviver com o salário que ganham? Que recursos podem usar para aprimorar o conhecimento?

Ensinar por amor não paga boleto. Não é surpresa o número crescente de evasão de professores que buscam outra profissão que compense financeiramente. Colaborando mais ainda este cenário, temos o fato de que fica mais difícil quando não se encontra nem mesmo o respeito dos alunos em sala de aula. Há exceções, sem dúvida. Mas o que se esperava é que o percentual fosse invertido: que situações de excelência estruturais do ensino fossem a regra, e as precárias, exceção. E quando estas fossem detectadas, gerariam tamanho horror que imediatamente tomaríamos medidas para revertê-las. Pois um governo que negligencia a educação da próxima geração de seu povo está condenando o Estado à falência.

Lembro da minha professora Rita, no meu ensino pré-escolar. As primeiras letras, a primeira leitura, o meu primeiro amor. Graças a ela adentrei neste universo da linguagem escrita que me permite conhecer lugares, culturas, experiências num abrir de página. Graças a ela, e a todos os demais professores que fizeram parte dos meus anos iniciais escolares, é que tive coragem de vir estudar numa escola que tinha um nível de ensino muito superior ao que eu tivera até então. Pois se eu sabia ler, interpretar e escrever, já tinha as ferramentas necessárias para superar a defasagem. Exigiria mais esforço, mas, havendo vontade, eu tinha como superar essa deficiência do ensino de escola pública do interior. E de alguma forma consegui, ainda que seja difícil, até hoje, de acreditar nisto.

Hoje celebramos o Dia do Professor, uma homenagem aos profissionais da educação. O ideal é que esta homenagem fosse diária, que refletisse no ganho salarial e no respeito em sala de aula e fora dela. Temos uma frase popular que diz: “Numa terra onde não há professores, não pode haver imperadores”. Ela diz muito sobre a importância deste profissional na formação de qualidade de uma nação. Eu só tenho a agradecer, pois foi graças a eles que estou aqui, escrevendo.

E você, que boa memória guarda de quem fez a diferença na sua vida escolar?

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