Definitivamente minha vida é permeada de incoerências. E também é uma luta diária para superá-las. Leio sobre organização, defendo a importância desta virtude, para no fim mal conseguir manter a minha mesa de estudo/trabalho arrumada em casa. Mas de todas as incoerências, a que mais me entristece é de ser uma pessoa violenta.
Provavelmente o fato de ter tido contato com a violência na infância tenha alimentando bem esta emoção no meu ser. Mudada a situação, e tendo contato com outro ambiente, onde atitudes raivosas eram repreendidas e poucas presenciadas, fui entendendo que não dá para decidir tudo com base nesta emoção. Todavia o que foi plantado já tinha se enraizado. Então minha luta diária é manter meu animalzinho raivoso adormecido. Na prática não é nada fácil.
Isto é tão latente na minha vida que comprei duas vezes o mesmo livro sobre a temática, do autor Sêneca: “Sobre a ira/Sobre a tranquilidade da alma”. Duas vezes! E por sinal ainda não li! Quem sabe eu leia agora para a postagem da próxima segunda… oremos…
Assim, os conteúdos de aulas de filosofia que mais gosto de acompanhar são os que falam sobre o controle das emoções, o domínio de si. E facilmente eu reconheço no outro essa fraqueza, o que me faz ter empatia, ao mesmo tempo que me irrita encontrar outra pessoa sofrendo do mesmo mal.
Imagina qual foi a minha surpresa quando ouvi a informação de que a raiva é uma emoção positiva, no sentido de que é uma emoção de movimento, de ação. A questão não é suprimir a raiva, mas é ter domínio sobre ela e direcioná-la a um propósito nobre, bem diferente daquele que usualmente eu conhecia: que é agredir quem despertou a fera adormecida.
Ultimamente tento conviver com a incoerência tendo um pouco mais de paciência, aceitando o quão distante estou de eliminá-la. Tentando pelo menos ser coerente nos valores que fortalecem a fraternidade. Não me colocando em situações que possam pôr em risco meu réu primário, assim como evitar estímulos que possam alimentar o animalzinho feroz que habita na minha alma. Luto, pelo menos, para que a bondade guie minhas escolhas (nem sempre consigo, mas sigo tentando).
Ser humano é isto: entender que vivemos os dois lados da mesma moeda. E o equilíbrio entre o que almejo como ser humano e o que consigo ser na prática, norteada pelos valores que eu prezo (bondade, justiça, fraternidade e um toque de beleza) e as diferentes emoções que vivencio. Enfim, perceber o quão coerente consigo ser no tocante ao meu discurso com a minha prática. Desafiador. Mas não dá para viver sem enfrentar este dilema e aprender a lidar com isto.
E você que me lê, qual emoção lhe tira do plumo?
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