Por um tempo fiz cadernos artesanais, do tipo brochura, para venda, com o apoio de duas amigas ilustradoras. Elas faziam a arte e eu fazia a montagem. Muito terapêutico, mas para ser lucrativo, eu precisava ser muito produtiva. Daí a parte terapêutica ia desaparecendo e só ficava o desespero de não conseguir fazer a quantidade que valesse o custo e benefício.
Ainda assim, quando eu conseguia fazer, era satisfatório imaginar a pessoa que comprou o caderno se sentir motivada a escrever/desenhar nele. Eu tinha feito algo que seria inspiração para alguém se expressar. Mas o interessante é que, de alguma forma, eu mesma não conseguia encontrar a motivação para fazer o mesmo. Não que eu não começasse… eu começava várias coisas: diários, desenhos, colagens e etc. Mas não ia adiante… algum bloqueio que me impedia de extravasar por longa data… ou talvez a minha falta de disciplina, ou os dois conjugados.
Com a ideia do site em andamento, fui organizar meu espaço de trabalho. E uma das coisas que fiz foi separar os cadernos que tinha, para decidir se aproveitava alguma coisa ou se descartava. Muito, muito interessante revisitar essas páginas escritas/desenhadas. Chocante a sensação de conseguir, por vezes, relembrar a emoção sentida quando determinando momento foi registrado nas folhas do caderno. Sem contar o olhar de fora que acabamos tendo quando revisitamos algo que fizemos no passado. Nossa! Como sinto um pouco de arrependimento de não ter ido mais adiante…
Em todo caso, este relato é para dizer que preciso voltar com esta escrita mais intimista, nestes muitos cadernos inacabados que tenho. Seja fazendo uso das palavras ou desenhos ou colagens. Expressar-se é algo que alivia a Alma. Além de instigante, ele nos serve como um álbum que tem fotografias de nossos pensamentos e emoções em determinando momento do passado. E daí vem a grande sacada: você não é o que sente e nem o que pensa. Entende? As emoções e pensamentos passam por você, aliás, eles devem passar por você e não permanecer. E você, consciente disso, analisa, reflete, fica com o que interessa, e deixa passar o que não lhe convém. Isso fica muito nítido quando revisitamos essas “fotografias” em nossos registros.
Por muito tempo eu pegava algo da minha vida e a colocava como imutável. Sou impaciente, esta é a minha natureza, ponto final. Com o tempo fui percebendo, principalmente ao estudar um pouco sobre filosofia e aplicá-la no meu dia a dia, que mudar é a única constante em nossas vidas. E nem o que você pensa ou sente pode te definir, pois isto muda a depender do contexto e experiências vividas. A questão é o quanto se aprende, ou se quer aprender.
Não se iluda: somos muito influenciáveis, principalmente quando não estamos muito conscientes disso. As empresas das redes sociais que o digam, pois usam essa nossa distração para manipular, de maneira imperceptível, nossos desejos, prendendo nossa atenção ali. Parece teoria da conspiração mas se você parar um pouquinho para analisar, vai perceber o quão é verdadeira esta afirmação. Meu objetivo é lutar para não me perder mais. Não permitir distrações que me afastem da realização dos meus sonhos e projetos. E os cadernos ajudam muito nisto.
E com você, como tem sido? Sua consciência está no agora ou anda perdida por aí, ao bel prazer de quem não se importa com o seu bem estar?
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