Caro Mário Quintana:
Não te conheço tão bem quanto a minha professora de literatura; e poucas são tuas obras das quais tenho o conhecimento. Agora que inicio meus estudos em nossa história literária (envergonho-me de declarar, mas é a verdade) percebo a importância de pessoas como tu, que transformam o nosso cotidiano em poesia; na qual algum ideal (ou será a realidade?) transmite num jogo de palavras, onde estas passam a possuir a essência dos sentimentos, o doce orvalho o mais profundo significado das palavras.
Ao dizeres: “Minha morte nasce quando eu nasci”, declaras a tua aquiescência diante do maior medo do ser humano. Apesar disto, sempre se viu como um menino, na flor da idade, no início da vida: “Por acaso surpreendo-me no espelho: que é esse que me olha e é tão mais velho do que eu? Que importa? Eu sou, ainda, aquele mesmo menino teimoso de sempre.” O seu estilho literário irá caracterizar-se por poucas palavras, cujos significados são tão imensos quanto o teu amor pela literatura.
És declarado “Campeão da ternura”, em um poema escrito por Manuel Bandeira.
Procuras em tuas poesias, a proximidade com o sentimento infantil e puro, como o da infância.
És a estrela de nossa literatura que agora brilha mais intensamente em nosso céu infinito, com outras estrelas possuidoras de mesmo brilho. Superaste todas as dificuldades, como demonstras em teu “Poeminha do Contra”:
“Todos esses que aí estão
Atravessando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho.”
Agora voas em tua liberdade espiritual; e nós aqui ficamos enfrentando as dificuldades as quais dão um certo sabor à vida; com a certeza de que elas passarão, enquanto nós ficaremos ao doce sabor de tuas poesias.
“Se dizem que escreves bem, desconfia. O crime perfeito não deixa vestígios.”
“Intruso: indivíduo que chega na hora em que não devia. Exemplo: o marido…”
“A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos…”
(Texto da jovem que fui aos 14 anos que foi publicado no jornal da escola -CIEC, no ano de 1994)
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