Hoje comentamos durante o almoço sobre o filme “Estrelas Além do Tempo”, que eu vi no cinema. O enredo fala de três mulheres negras que, durante a corrida espacial entre EUA e URSS, lutam para serem respeitadas nas suas vidas profissionais na sociedade estadunidense onde o racismo está impregnado na cultura e validada pelas leis da época. Uma história baseada em fatos reais que comove por tratar da capacidade humana de ir além, superando adversidades, mas entristece por mostrar também o quanto podemos ser cruéis em nossos preconceitos.
Há muitas condutas humanas que me doem, afinal faço parte da humanidade. Assim como há feitos incríveis e pessoas que me deixam orgulhosa de estar viva por presenciar atitudes generosas e tal, também temos historicamente pessoas que me deixam sem palavras quando me deparo com o que fizeram. A prática do racismo é uma dessas marcas que nos envergonham.
Gostaria de dizer que não tenho esta conduta na minha formação, mas o fato é que ainda somos uma sociedade muito preconceituosa. Quando criança e jovem, presenciei várias comentários e piadas como se fossem meras brincadeiras, embora no fundo sentisse algo desconfortável com isto. Na fase adulta, ainda as escuto mas agora consigo rechaçá-las. Não preciso rir delas para me enturmar. Não aceitar o racismo é algo que me deixa coerente com os valores morais que carrego. Mas nem sempre foi assim.
Somente quando um amigo meu comentou sobre os olhares que recebia por estarmos andando juntos num shopping (ele negro e eu com pele clara, ainda que não fosse branca), somente neste momento percebi o quão privilegiada eu era por não ter sofrido racismo em razão da cor da minha pele, pois afinal minha aparência (pele e olhos claros) era mais próxima de uma pessoa branca. Ele, por sua vez, já tinha sentido esses olhares que julgam a partir de algo que não se tem controle, e nada, absolutamente nada a ver com o caráter: a cor da pele.
O filme é incrível e recomendo fortemente, pois nos faz sentir felizes por terem existido mulheres que marcaram a história mostrando que o errado sempre será errado, ainda que não esteja claro para a maioria. Além disso, não permitir que o contexto e nem as pessoas em volta convençam-nos de algo que é inaceitável é o mínimo que podemos fazer. Talvez não possamos mudar a realidade, mas não podemos permitir que a realidade mude o que acreditamos ser essencial na nossa existência: a humanidade.
Se algo que digo e faço me afasta das pessoas, preciso refletir a respeito. A fraternidade é um valor sagrado. Não podemos nos distanciar deste parâmetro, pois do contrário estaremos retrocedendo à barbárie. E neste cenário, não há muito o que fazer, muito menos o que escrever.
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