Quando jovenzinha, não me parecia algo importante deixar as coisas no lugar. Via a cobrança dos adultos como uma implicância até mesmo exagerada, afinal qual o problema de levar semanas para guardar a roupa limpa? Acabava que eu iria usar daqui a pouco mesmo… Hoje vejo como deveria ser irritante minha atitude. E precisei reconhecer que tinham razão: a ordem me traz paz.
Tenho uma dificuldade muito grande de manter a organização, embora tudo no seu devido lugar faz uma diferença gigantesca no meu emocional. Com idade onde passar a noite acordada não afetava meu ânimo durante o dia, o meu pensamento era: quando eu quiser, eu arrumo tudo em cinco minutos. Na real demorava algumas horinhas, mas ainda assim era rápido. Energia que sobrava.
Hoje, a ideia de parar para arrumar qualquer coisa me desanima, pois daí penso que outra coisa eu poderia estar fazendo, mais palatável para o meu gosto. Por outro lado, a desordem me desanima mais ainda. E muitas, muitas vezes organizar se torna um exercício de acalmar a mente para encontrar as respostas que procuro.
Sinto a necessidade de organizar, no entanto ainda tenho a mesma dificuldade de toda a vida de dar este passo inicial para começar o processo. Ainda assim me esforço pois com a idade avançando, não posso me dar o luxo de perder um dia procurando as chaves do carro, ou o título de eleitor. Sei que cada tempo que perco com a minha desorganização, gasto energia que demoro para recuperar. Energia esta que quero gastar aprendendo crochê, fotografia, conversando com os amigos, escrevendo poesia (ousada que sou).
Fica o registro para que eu possa fazer hoje (pelo menos começar) o que seria o marco do encerramento de um ciclo para que eu possa me dedicar à nova fase que vivo (embora uma coisa não exclua a outra, mas é necessário escolher o grau de prioridade). Este ciclo mencionado envolve cadernos, mas é assunto para outra carta.
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