– vivências . leituras . registros –

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Moro numa região onde não estão bem definidas as quatros estações. O que é bem perceptível é a época de muitas chuvas, e a época de poucas chuvas. Nesta última, o sol mostra-se reinante em todo o seu esplendor. Enquanto eu vejo muitos falando do inverno que é um momento de reclusão, começo a pensar que a estação de solar daqui seria algo assim.

Na época das chuvas, os dias ficam mais lentos, sem dúvida. Principalmente quando já amanhece chovendo. Dá uma preguiça gostosa de ficar em casa, quieta. Mas na época de luz plena, o que mais sinto é um cansaço grande no final do dia. É a época para fazer reformas em casas, lava-se roupa todos os dias (antes de o dia acabar, já estão todas secas). É uma fase de agitação, sem dúvida. Mas, da mesma forma que a energia vem, ela se esvai depois que os raios solares se esvanecem.

Picos de energia nos impulsionam a realizar coisas, mas o corpo sente o desgaste e, quando não estamos atentos, não fazemos as devidas adaptações (tomar mais água, comer alimentos que ajudam a repor o que foi perdido), ele mesmo faz com que paremos para descansar e evitar o gasto energético.

Quando criança, via as épocas das chuvas como algo tedioso e moroso, e a fase de sol pleno com entusiasmo. Hoje, depois de uma dia de afazeres, quero chegar no final do dia com um mínimo de energia para fazer coisitas que me interessam (como escrever, por exemplo). Mas cadê energia? Não sei se é o verão o causador do cansaço, ou só é os sinais de que a estação da minha vida está deixando de ser verão pleno (onde verão e primavera caminharam juntos) e indo para o outono.

Pensando bem, faria sentido está na fase outonal da minha vida. Pois tenho sentido uma necessidade urgente de fazer brotar as sementes dos meus desejos e sonhos. De querer que elas floresçam e gerem frutos. E é inegável que a energia necessária para que isto aconteça de forma rápida não está mais em meu corpo. Preciso de paciência e um bom planejamento.

Por outro lado, essa tomada de consciência também me faz valorizar cada dia como uma oportunidade única para fazer este outono, meu último outono, incrível. E assim me preparar bem para o inverno que vem aí. E será, pela primeira vez, que irei sentir a sensação do que é viver nessa estação. Não esquecendo, claro, que para viver um inverno sem perrengues, pelo que eu soube, é necessário se preparar bem para ele.

Estar aqui escrevendo é a construção desta preparação. Afinal, as estações da vida em si só se vive uma vez.

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