Minha relação com plantas não começou muito bem. Eu as odiava porque minha mãe as amava. Sem contar que acabava, muitas vezes, com a função de regar as plantas. Como cuidar de algo que você não gosta? Garanto que é difícil. Mas isto foi mudando a medida que fui tendo meu espaço.
Em casa, morando em apartamento, se quero alguma presença da natureza, preciso cultivar em vaso. O que tentei muitas vezes e me fez desistir algumas outras vezes. Mas em algum momento houve uma trégua e eu comecei a aprender. Não teria as plantas mais lindas e tal, mas teria o verde das folhas das samambaias e jibóias para me encantar. Mas plantas com flores… essas ainda não conseguimos nos entender.
Até tenho uma bougainville no vaso (que chamamos de Julieta), mas ela decidi quando terá flores. Se me esforço, elas não aparecem. Quando fico no básico, e penso que agora ela vai morrer de vez, as flores vem. Acredito que tenha alguma relação com o clima e o tempo do momento, com a quantidade de água que dou, ou esqueço… não consigo identificar o padrão de cuidados que faz a Julieta feliz. Tem algo a mais de que ela precisa e eu ainda não entendi.
Em todo caso, quando elas aparecem, e eu lembro de sentar na varanda para apreciar este momento esplendoroso, é sempre encantador. As cores das flores pequenas e das folhas em volta na cor rosa sempre me despertam o desejo de ter um jardim cheio de flores para admirar. Daí eu concluo, com toda a boa-fé do momento, que se há beleza assim num vaso em um apartamento qualquer, então ela está em todo lugar. Basta permitir que ela floresça.
Sei que não é tão simples assim… mas apreciar uma flor em sua singela e incrível harmonia me permite acreditar também que posso encontrar a mesma beleza em pequenos gestos, palavras e pensamentos. E em algum momento, quando menos esperar, eu também possa florescer, levando a beleza por onde passar, sem precisar de muito para que isto aconteça.
Deixe um comentário