Ultimamente tenho pensando em que momento da vida nos tornamos adultos. Antes pensava que seria com a maioridade (previsão legal), mas hoje já percebi que nem sempre coincide o aniversário de 18 anos com a chegada desta fase. O momento crucial, aparentemente, é aquele em que você toma uma decisão e arca com as consequências desta escolha, sem procurar culpados se tudo der errado. O ato de suportar o ônus, olhando com firmeza para si no espelho e dizer: eu decidi, eu pago o preço, é como se fosse o rito de passagem. A partir deste momento fica evidente que sou responsável por minhas escolhas.
Este momento pode acontecer antes da idade prevista em lei, ou só vir a se concretizar depois de algumas décadas. Em alguns casos, e mais triste ainda, pode-se viver uma vida inteira, envelhecer, e nunca ter se tornado adulto. Nunca ter sentido o gosto de assumir as consequências e comprovar se aguenta o tranco ou não. E se não aguentar, aprender qual é o limite. Ainda assim ir adiante, por um novo caminho, que será trilhado com mais coragem e cautela, porque já se conhece as possíveis consequências que são possíveis de ser suportadas.
Decidir envolve uma dose de valentia pois teremos muitas pequenas escolhas dentro das maiores. Sempre iremos perder algo, isto é fato. A questão é o que estamos dispostos a perder, e o que não estamos, custe o que custar. Para isto, precisamos passar pelo processo de se conhecer. De saber os limites do que somos capazes de suportar, e, principalmente, do que realmente tem importância.
Eu tenho a sensação de que sou adulta, mas há dias, muitos dias, que ainda tenho o comportamento de uma adolescente que espera a aparição do adulto que decidirá o que é melhor para mim. Neste cenário, quero a parte de ser “salva” e não ter que lidar com as consequências das escolhas que fiz. Mas, por outro lado, depois que se tem o gosto da decisão, de governar a própria vida, fica cada vez mais difícil aceitar isto sem sentir um incômodo.
Todos os dias preciso repensar minhas decisões e me perguntar o que realmente importa. Nos dias mais cansativos, deixo a resposta para outro momento. Mas é nos dias mais tristes que preciso desta resposta para reagir. E assim o dilema deve ser encarado, decidido. Essa postura que fará toda a diferença quando eu olhar para trás e tiver que responder: a vida que eu vivi, valeu a pena para mim?
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