– vivências . leituras . registros –

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A escrita foi como aprender a falar. Antes eu só ouvia (melhor, lia) o que estava “dito” nas páginas… mas em dado momento, senti necessidade de ser eu a responsável pela escolha das palavras… da construção das frases, da tentativa de me expressar.

Começou com poemas bobos sobre o amor, ainda assim eram a minha maneira de dizer o que sentia sem precisar me declarar diretamente (embora até tenha feito isto de forma desastrosa…). Mas foi com a escrita do diário que fui ganhando confiança. Era um exercício fascinante, pois me permitia resgatar impressões do passado, e perceber mudanças de pensamentos e sentimentos sobre o ocorrido. Quando não se tem muita liberdade de locomoção e quase nenhuma amizade, fazer um diário é como ter sempre à mão um “amigo” disposto a lhe ouvir.

O problema do diário, contudo, é a necessidade de confiar de que ninguém irá lê-lo. Não tive essa sorte e acabei perdendo a motivação de continuar. Por muitos anos tentei retomar este hábito, mas eu não conseguia ser honesta na escrita, pois carregava agora a desconfiança de que alguém poderia não respeitar minha privacidade.

A ironia é que resolvi neste mês fazer um blog público com registros das minhas impressões sobre vivências, leituras e tudo mais. Como carrego um desejo de um dia escrever um livro, tomei este espaço para fazer o início desta jornada literária. Assim, aberto ao público, agora sem medo que leiam. Pois o que eu quero agora é me encontrar na escrita e desafogar meu peito. E desejo que outros possam encontrar nas palavras que escrevo algo que lhes faça sentido, que os ajude a entender o que sentem, e que os incentive a também encontrar suas próprias palavras.

Sou uma amadora na escrita, e enferrujada no uso das palavras, pois as prendia em minha mente e sonhos… mas neste momento é como se eu estivesse regando a terra onde hiberna a semente do meu desejo. Quem sabe um dia os meus escritos possam encontrar o seu destino no coração de alguém, de forma que possa fazê-lo sentir que encontrou ali o que melhor traduz o que carrega no peito e não sabia expressar. E assim, pelas minhas palavras, ter a certeza de que não está só.

2 respostas

  1. Avatar de Benjamin
    Benjamin

    Bom dia, Leila. A fenomenologia, área de estudo que vivo, aprecio e sobre a qual me debruço, possui um conceito intitulado autenticidade, que, segundo o teórico que o preconizou, Heidegger, significa apropriar-se de si mesmo, de sua existência. Na fenô, e também por Heidegger, conhecemos, ainda, outro conceito: Dasein, que nada mais é se não o ser que está lançado ao mundo (eu, você) e, frente a esse mundo, depara-se com facticidades e a maior das possibilidades, a morte. Entende-se esse ser lançado (o ser-aí) como um ser-para-a-morte, e esse lançar-se em direção a morte abre o caminho para o ser-autêntico. Acredito, fielmente, que isto foi o que você encontrou nas palavras: o seu ser autêntico. Nunca pare! Espero poder ler o seu livro em breve. 

    Com carinho, 

    Benjamin.

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    1. Avatar de Leila Maria Flesch

      Que comentário filosófico. Li duas vezes para ter certeza se entendi direito (rindo da situação) e aprendi um pouco mais. Ficarei contente quando puder divulgar por aqui meu primeiro livro. Abraços.

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