A escrita foi como aprender a falar. Antes eu só ouvia (melhor, lia) o que estava “dito” nas páginas… mas em dado momento, senti necessidade de ser eu a responsável pela escolha das palavras… da construção das frases, da tentativa de me expressar.
Começou com poemas bobos sobre o amor, ainda assim eram a minha maneira de dizer o que sentia sem precisar me declarar diretamente (embora até tenha feito isto de forma desastrosa…). Mas foi com a escrita do diário que fui ganhando confiança. Era um exercício fascinante, pois me permitia resgatar impressões do passado, e perceber mudanças de pensamentos e sentimentos sobre o ocorrido. Quando não se tem muita liberdade de locomoção e quase nenhuma amizade, fazer um diário é como ter sempre à mão um “amigo” disposto a lhe ouvir.
O problema do diário, contudo, é a necessidade de confiar de que ninguém irá lê-lo. Não tive essa sorte e acabei perdendo a motivação de continuar. Por muitos anos tentei retomar este hábito, mas eu não conseguia ser honesta na escrita, pois carregava agora a desconfiança de que alguém poderia não respeitar minha privacidade.
A ironia é que resolvi neste mês fazer um blog público com registros das minhas impressões sobre vivências, leituras e tudo mais. Como carrego um desejo de um dia escrever um livro, tomei este espaço para fazer o início desta jornada literária. Assim, aberto ao público, agora sem medo que leiam. Pois o que eu quero agora é me encontrar na escrita e desafogar meu peito. E desejo que outros possam encontrar nas palavras que escrevo algo que lhes faça sentido, que os ajude a entender o que sentem, e que os incentive a também encontrar suas próprias palavras.
Sou uma amadora na escrita, e enferrujada no uso das palavras, pois as prendia em minha mente e sonhos… mas neste momento é como se eu estivesse regando a terra onde hiberna a semente do meu desejo. Quem sabe um dia os meus escritos possam encontrar o seu destino no coração de alguém, de forma que possa fazê-lo sentir que encontrou ali o que melhor traduz o que carrega no peito e não sabia expressar. E assim, pelas minhas palavras, ter a certeza de que não está só.
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